Depressão Pós-Covid – Saiba o que os estudos revelam

Você teve COVID-19 e está se sentindo deprimido, mesmo após a sua recuperação? Saiba que isso pode ser uma sequela da doença.


Conseguir sobreviver ao novo coronavírus é uma vitória e tanto. Mas, infelizmente, alguns sintomas podem persistir por meses (e até mesmo anos) após a “recuperação” dos pacientes, como é o caso da Depressão Pós-Covid.

Um estudo da Faculdade de Medicina da UFMG com pacientes internados no Hospital das Clínicas da Universidade revelou que algumas pessoas mesmo após a alta hospitalar continuam sentindo dores e sintomas de ansiedade e depressão.

Um outro estudo britânico também indica que a Covid-19 aumenta o risco de depressão e demência. Um terço das pessoas infectadas com a doença desenvolveu ou teve uma recaída de uma condição psicológica ou neurológica.

Especialistas sugerem que essas sequelas possam durar até dois anos, levando em consideração os efeitos nos pacientes que tiveram SARS-CoV. No entanto, é possível que essas consequências sejam permanentes.


Quais são as causas da Depressão Pós-Covid?


As pessoas que foram infectadas pelo covid, principalmente em sua forma mais grave, relatam desânimo, tristeza, medo, fraqueza e desinteresse pelas coisas.

Acredita-se que os problemas emocionais como ansiedade e depressão pós-covid tenham relação com o período de isolamento do paciente durante a internação. O medo sobre o que pode acontecer e a falta de contato com os amigos e familiares também são outros fatores.

O estresse causado por estar com uma doença nova, a possibilidade de morrer e a incerteza sobre os tratamentos e a recuperação contribuem para o desenvolvimento desses transtornos.

Ainda, existem evidências de que o vírus entra no cérebro e causa danos diretos. Além disso, o uso de diferentes medicamentos para tratar a doença também pode colaborar para isso.

E embora esses efeitos sejam mais intensos naqueles que foram hospitalizados, os que tiveram quadros mais leves também são afetados.

Não podemos deixar de mencionar que a pandemia ainda não foi contida, e sendo assim, medidas de restrição para impedir o avanço da doença ainda permanecem.

Como consequência disso, após se recuperarem da COVID-19, as pessoas precisam manter o isolamento social, dificultando a melhora dos sintomas depressivos.

Infelizmente, o Brasil lidera os casos de depressão e ansiedade durante a pandemia do novo coronavírus, conforme aponta uma pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo (USP) em onze países.


O que se sabe até agora...


É evidente que mais estudos precisam ser realizados para identificar de fato se a depressão é realmente uma sequela da COVID-19 ou simplesmente decorrente do estresse de passar por uma pandemia e ficar doente em um período de tantas incertezas.

Um estudo mais recente, publicado no periódico JAMA aponta que mais da metade dos infectados pelo novo coronavírus relataram depressão. Mas, o levantamento também nos traz outros dados relevantes:

· Os participantes com sintomas depressivos eram mais propensos a serem jovens, do sexo masculino e terem apresentado a forma mais grave da doença;

· Também foi identificada uma relação entre as dores de cabeça durante o COVID-19 e uma maior probabilidade de depressão.

No entanto, é valido relatar que as causas e efeitos não foram confirmadas. É possível que os sintomas depressivos já estivessem presentes antes mesmo do contágio do vírus.


Qual é o tratamento para a Depressão Pós-Covid?


Em alguns casos, os sintomas emocionais como a ansiedade e a depressão pós-covid podem desaparecer naturalmente dentro de 3 meses, sem qualquer intervenção.

Mas, em situações severas pode ser necessário o uso de medicamentos, terapia e outros tratamentos alternativos.

Como tudo isso é muito novo, tanto a doença quanto as suas sequelas, não se sabe ao certo as causas para essas manifestações e como deve ser feito o tratamento. Opiniões médicas sobre o tema divergem, e cada profissional adota uma abordagem diferente de acordo com o histórico do paciente.

No entanto, sabemos que as boas práticas para manter a saúde mental (atividades físicas e alimentação saudável) têm sido deixadas de lado durante esse período, enquanto hábitos prejudiciais (consumo abusivo de bebidas alcoólicas, cigarros e comidas ultra processadas) crescem a cada dia.


Como lidar com a depressão na pandemia?


Existem algumas recomendações fundamentais que podem te ajudar a superar a depressão nesse período instável que o mundo está vivendo. Confira abaixo:


1. Evite assistir noticiários

Para quem está deprimido, assistir o noticiário pode ser extremamente prejudicial, levando em consideração que muitas informações negativas são veiculadas. Procure assistir programas de entretenimento, pelo menos enquanto estiver se sentindo pra baixo.


2. Escolha fontes seguras de notícias

É preciso saber filtrar as informações que você recebe na internet. Muitas pessoas compartilham fake news sobre a pandemia, mensagens pessimistas e muitas vezes paranoicas. Isso pode fazer com que você se preocupe com uma coisa que sequer é real.

Portanto, consuma conteúdos sempre de fontes confiáveis como as páginas das autoridades de saúde.


3. Evite se sentir sozinho

Embora a recomendação durante a pandemia seja de evitar aglomerações e manter o distanciamento social, é possível utilizar a tecnologia para permanecer em contato com seus amigos e familiares. Isso vai ajudar a aliviar o sentimento de solidão causado pelo isolamento.


4. Pratique atividades físicas

Sabemos que para quem está depressivo até mesmo sair da cama é algo muito complicado. No entanto, exercícios físicos contribuem muito para a melhora da depressão. Isso acontece porque eles liberam substâncias no nosso organismo capazes de promover sensações de bem-estar e prazer.

Comece devagar, faça uma caminhada de vez em quando até começar a se sentir mais disposto para praticar outras atividades.


5. Evite o consumo de álcool, cigarro e outras drogas

O consumo abusivo de álcool, cigarro e outras drogas pode tanto contribuir para o desenvolvimento da depressão quanto agravar o problema em quem já possui.

Algumas pesquisas revelaram que esse comportamento tem se intensificado durante a pandemia. Saiba mais nos artigos abaixo:

· Consumo de cigarro aumentou durante pandemia de COVID-19 (deiumtempo.com)

· Consumo de álcool cresceu durante a pandemia de COVID-19 (deiumtempo.com)

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Referências:

Dor, depressão e ansiedade podem estar entre as sequelas da covid-19 - Faculdade de Medicina da UFMG

Covid-19 aumenta risco de depressão e demência, indica estudo britânico - BBC News Brasil

Association of Acute Symptoms of COVID-19 and Symptoms of Depression in Adults | Depressive Disorders | JAMA Network Open | JAMA Network

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