Depressão e álcool, qual a relação?

Atualizado: 25 de mai. de 2021

Choro, tristeza, desânimo e sintomas de depressão... Você conhece alguém que passa por isso após beber demais?

Muitas pessoas relatam esse tipo de sentimento após tomar todas e acordar de ressaca no outro dia. E isso não acontece sem motivo, levando em consideração que a depressão e o álcool estão relacionados.

Diversas pesquisas sugerem que o consumo de bebidas alcoólicas possa piorar quadros de depressão e até mesmo deixar deprimido quem ainda não foi diagnosticado com a doença. As causas para isso são as mais diversas, e falaremos sobre elas no decorrer do artigo.

Mas para os que já tomam medicamentos controlados para o transtorno, fica o alerta: Depressão, álcool e medicamentos não são uma boa combinação. Há riscos de interações medicamentosas que podem prejudicar o seu tratamento e a sua saúde.

Por isso, o consumo desse tipo de bebida deve ser feito com cautela por quem sofre com problemas como ansiedade e depressão. Aliás, os médicos destacam que não se deve ingerir qualquer tipo de bebida alcoólica se estiver doente, independentemente da condição.

Continue a leitura para saber mais sobre as relações entre depressão e álcool.


As pessoas bebem porque estão deprimidas, ou ficam assim porque bebem?


Muitos acreditam que um indivíduo passa a tomar álcool em excesso por estar se sentindo triste, e que esse hábito nocivo esteja diretamente ligado com o quadro de depressão.

Mas a verdade é que isso raramente acontece. Já se sabe que uma pessoa não aumenta a ingestão de álcool apenas por estar se sentindo deprimida, essa ação envolve outros fatores que vão além do transtorno.

Sendo assim, os sintomas normalmente aparecem após a ingestão consecutiva e abusiva de bebidas alcoólicas, e não o contrário.

É por esse motivo que indivíduos que apresentam sinais de tristeza profunda após a ingestão de álcool por muitos dias consecutivos podem notar uma melhora no humor após um tempo de abstinência.

Sendo assim, o diagnóstico deve ser feito com cautela, e somente após o paciente ficar um tempo significativo sem beber, levando em consideração que uma condição pode apresentar sintomas semelhantes e até mesmo mascarar a outra.


Por que algumas pessoas choram quando bebem?


Várias pessoas relatam que choram após o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, como se isso fosse um gatilho para o sentimento de tristeza.

Isso acontece porque quando as pessoas bebem, ficam mais desinibidas e menos tímidas, expressando com mais facilidade os seus sentimentos.

Além disso, lembranças negativas costumam vir à mente durante a embriaguez, tais como problemas familiares ou amorosos e traumas do passado, por exemplo. A internet está repleta de vídeos que comprovam isso e que são considerados “memes”.

Entretanto, é válido ressaltar que essa situação não ocorre com todos que bebem além da conta, embora haja muitos relatos desse tipo.


Depressão e alcoolismo, duas doenças importantes.


A depressão já foi considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como o "mal do século XXI, tendo em vista que inúmeras pessoas estão sofrendo com essa doença.

Apenas no Brasil, conforme apontam dados do IBGE, 16,3 milhões de pessoas com mais de 18 anos estão deprimidas, um aumento de 34,2%, de 2013 para 2019.

Ainda, de acordo com a OMS, o Brasil é o país mais deprimido da América Latina.

O alcoolismo também apresenta relevância e preocupação, sendo considerado um dos principais problemas de saúde pública. Segundo a OMS mais de 4 milhões de brasileiros são dependentes de álcool.

E é por causa da relevância que essas duas doenças possuem que diversos estudos têm sido realizados para entender com maior precisão as causas dessa associação entre os dois transtornos.

O que se sabe atualmente é que além de o álcool ser um fator de risco para o desenvolvimento de transtornos mentais, ele também dificulta e agrava o quadro de depressão e ansiedade.


Álcool x Sono x Depressão: Entenda as relações


Um estudo publicado na revista JMIR Mental Health revela que duas taças de vinho por dia podem ser suficientes para reduzir a qualidade de sono em até 40%.

Conforme aponta os resultados, mesmo o consumo leve de álcool pode ser capaz de prejudicar o sono e afetar a recuperação fisiológica em 9,3%. Já o consumo moderado reduz a qualidade do sono em 24%, enquanto o elevado em até 39,2%.

E qual a relação que isso tem com a depressão?

Um outro estudo revela que pessoas que dormem menos de 8 horas por noite são mais propensas a sofrer de depressão e ansiedade.

Isso acontece porque quem sofrem de insônia tem mais dificuldade para lidar com pensamentos negativos do que as pessoas que têm boas noites de sono.


O álcool e a falsa alegria


É normal que as pessoas bebam para se sentirem alegres. Mas apesar de o álcool funcionar como um estimulante inicialmente, ele proporciona uma falsa felicidade, já que que a consequência do consumo excessivo provoca períodos depressivos.

Tomar bebidas alcoólicas frequentemente e de maneira abusiva diminui os níveis de serotonina do nosso organismo, contribuindo para quadros de ansiedade e depressão.

Além disso, muitas pessoas sentem uma tristeza profunda quando se dão conta do que fizeram enquanto estavam sob efeito do álcool. Isso leva a necessidade de beber novamente para aliviar a sensação de culpa, gerando um círculo vicioso.


Pensamentos suicidas e o consumo excessivo de álcool


Para quem sofre com depressão profunda, o consumo abusivo de álcool pode ser extremamente perigoso.

Essa substância atua no nosso corpo como depressor do sistema nervoso central, diminuindo as habilidades cognitivas, atrapalhando o controle de impulso, de julgamento e desinibindo o indivíduo.

Sendo assim, uma pessoa com pensamentos de morte pode não conseguir se controlar, agindo por impulso e acabar tentando suicídio.

O ideal é buscar tratamento para lidar com esses dois problemas: a depressão e a dependência de álcool.

As jornadas do Programa Dei Um Tempo são um excelente recurso para te ajudar a rever sua relação com o álcool, dar uma pausa nesse hábito nocivo e ainda melhorar a sua saúde mental.

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